Arte do Caminho https://artedocaminho.com.br Conhecimento que transforma vida em caminho Tue, 22 Sep 2026 17:53:15 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.2 https://artedocaminho.com.br/wp-content/uploads/2026/09/cropped-traco-lavanda-trim-32x32.png Arte do Caminho https://artedocaminho.com.br 32 32 Paixão: Por que relacionamentos tóxicos são tão interessantes? https://artedocaminho.com.br/paixao-por-que-relacionamentos-toxicos-sao-tao-interessantes/ https://artedocaminho.com.br/paixao-por-que-relacionamentos-toxicos-sao-tao-interessantes/#respond Fri, 18 Sep 2026 16:03:37 +0000 https://artedocaminho.com.br/?p=61 O ciclo vicioso em busca de uma bomba de emoções.

Segundo Sobonfu Somé (citada por Noguera, 2020), o amor é uma construção conjunta, onde o ego deve ser deixado de lado. A paixão é um sentimento incontrolável, tal qual uma fogueira em que foi jogada querosene nas chamas.

Levando essa analogia da fogueira, um relacionamento tóxico é como se você estivesse morrendo de frio, beirando a hipotermia e querendo se aquecer em um acampamento com uma fogueira enorme rodeada de tonéis de gasolina, onde há o pavor do que pode acontecer se todos eles explodirem e a ansiedade da possibilidade de o fogo aumentar e você ter mais calor.

Percebe como logicamente é irreal que acreditemos que uma fogueira tão perto de tonéis de gasolina não vá estourar e no mínimo te machucar gravemente? Obviamente a reação esperada é que sintamos medo e tentemos sair dessa situação, então por que não é o que acontece?

Freud descreve o comportamento de repetição compulsiva, como a necessidade de repetir os mesmos fatores esperando um desfecho diferente. Por traumas ou até mesmo pela procura daquela primeira bomba de amor que recebemos no começo de um relacionamento, as pessoas procuram essa intensidade contínua, não só no começo. Isso as leva a repetir incessantemente todos os padrões que as levaram a sentir aquela sensação de amor e adoração do começo do relacionamento.

Isso leva a vários desfechos diferentes, tanto uma pessoa que sempre está terminando e começando relacionamentos quanto aquela pessoa que nunca consegue colocar um ponto final definitivo na relação que já não lhe faz mais bem. Quando estamos acostumados ao padrão de relacionamento de “intensidade de emoções -> percepção de um ser imperfeito -> desentendimento -> distanciamento -> reaproximação -> intensidade de emoções”. Quando já se tem esse padrão, sabemos que tudo isso acontecerá de novo e se torna um vício, uma repetição compulsiva. Por mais que seja uma repetição tóxica, ela é familiar. E para além de familiar, ela se torna a esperança de que se um cisco cair diferente, vai mudar o desfecho.

Por outro lado, há quem nem chegue a romper: o vício, nesse caso, não é o pico da reconciliação, mas a própria incerteza do dia a dia. “Será que ele vai estar bem hoje? Será que se eu cortar o tomate em rodelas e não em cubos ele vai gritar comigo? Quando eu chegar em casa preciso estar preparada para tudo, nunca sei se ele estará de bom humor.” há sempre a possibilidade, mesmo que remota, de que tudo corra maravilhosamente bem, ou que não, que isso escale para um tipo de violência, seja física, patrimonial, verbal etc. A esperança de que as conversas sejam leves, de que ele vá te receber em casa com abraços, ter a segurança de poder confiar no seu parceiro, tudo isso é uma aposta que muito possivelmente não vai se pagar.

Uma pessoa emocionalmente frágil fica mais suscetível a cair em um relacionamento desses de que falamos. Agora, uma pessoa que já passou por essas situações, conseguiu com muito esforço sair desse ciclo vicioso e começou um novo relacionamento, vai ter dificuldade em entender que a ausência do caos e da imprevisibilidade não significa falta de amor.

O amor é muito mais calmo, é a construção da confiança e intimidade, que compõe a base de um relacionamento saudável. Por vezes, é comum que se confunda a paz com a ausência de amor, quando na verdade é o completo oposto. Ainda trazendo Somé, a paixão é o ápice do amor, sendo a cumplicidade, conexão e intimidade a base dele. Uma paixão construída em uma base sólida de confiança se torna uma chama segura que é alimentada eternamente enquanto a base estiver firme.

Fica aqui então o alerta de que a paixão repentina de um novo começo não deve ser levada como um estado permanente, mas sim como a ansiedade de conhecer e começar uma nova história. Um relacionamento construído em uma emoção passageira, que eventualmente deixará de ser tão intensa, está fadado ao fim. Coloque seus esforços em construir uma intimidade tão profunda que a paixão será uma convidada frequente em sua relação.

Fontes

Somé, S. O Espírito da Intimidade. Como citado em: Noguera, R. (2020). Por que amamos: o que os mitos e a filosofia têm a dizer sobre o amor. HarperCollins Brasil.

Noguera, R. (2020). Por que amamos: o que os mitos e a filosofia têm a dizer sobre o amor. HarperCollins Brasil.

Cannon, J. (2026). Why Toxic Relationships Can Feel Good. Psychology Today. https://www.psychologytoday.com/us/blog/stress-fracture/202603/why-toxic-relationships-can-feel-good

Instituto de Psicologia da USP. Entenda o que é um relacionamento tóxico e saiba como identificar os sinais de alerta. https://www.ip.usp.br/site/noticia/entenda-o-que-e-um-relacionamento-toxico-e-saiba-como-identificar-os-sinais-de-alerta/

Freud, S. (2010). Além do princípio do prazer [1920]. In: Obras completas, volume 14. Companhia das Letras.

]]>
https://artedocaminho.com.br/paixao-por-que-relacionamentos-toxicos-sao-tao-interessantes/feed/ 0
Como a escuta ativa conversa com o Tempo de Qualidade? https://artedocaminho.com.br/como-a-escuta-ativa-conversa-com-o-tempo-de-qualidade/ https://artedocaminho.com.br/como-a-escuta-ativa-conversa-com-o-tempo-de-qualidade/#respond Fri, 18 Sep 2026 15:32:56 +0000 https://artedocaminho.com.br/?p=55

A escolha de escutar faz toda diferença.

Veja bem, quando falamos sobre os que têm tempo de qualidade como linguagem de amor primária, pensamos primeiramente em tudo o que podemos fazer com essa pessoa.

Podemos levá-la para dar uma volta no parque, ir ao cinema, cozinharmos juntos ou de repente, se estivermos em uma situação melhor, até mesmo uma pequena viagem.

Perceba como tudo o que envolve o tempo de qualidade, acaba inconscientemente virando algo grandioso, onde você precisa de fato, sair ou fazer atividades que te custam algo, seja dinheiro ou uma disposição que nem sempre temos, assim como qualquer outra linguagem, diga-se de passagem.

Mas o que muitos se esquecem, é o principal dialeto dessa linguagem do amor: a escuta.

Como assim? Pois bem, quando falamos sobre o tempo de qualidade, estamos falando sobre um momento inteiro dedicado àquela pessoa que é importante pra você, estamos falando sobre se dedicar inteiramente a uma pessoa por nem que seja 15 minutos do seu dia. Não há forma mais fácil (e melhor) de fazer isso do que apenas escutar ela.

A escuta ativa é um grande diferencial em uma relação, mas o que de fato seria isso?

É escutar de verdade o que seu parceiro está dizendo, sem interrupções e sem distrações. Em um mundo tão tecnológico e cheio de informações que são atualizadas por segundo na palma de nossas mãos, a habilidade de foco no que uma pessoa está dizendo, fica cada dia mais rara. A conexão no olhar, a certeza de que o outro está atento a cada palavra que você diz, se torna cada vez mais preciosa.

Não à toa quando Vinicius de Moraes compôs “Pela luz dos olhos teus”, foi até tema de novela!

Então aqui vai um pequeno guia de como escutar melhor:

  • Contato visual: A pessoa que ouve sem te olhar nos olhos, geralmente está preocupada ou pensando em outra coisa enquanto te ouve, e é aqui que mora a diferença entre ouvir e escutar. Ouvimos vozes ao nosso redor o tempo todo, sem esforço algum; escutar exige a escolha de estar presente. Segundo pesquisas sobre a Teoria do Apego, uma das necessidades emocionais mais básicas do ser humano é sentir-se ouvido e importante para quem se ama, e isso, muitas vezes, começa com um olhar que não desvia.
  • Linguagem corporal: Sorrir, acenar com a cabeça e se inclinar em direção à pessoa são pequenos gestos que dizem “eu escolhi te escutar agora”. Eles reforçam, com o corpo, o que os olhos já começaram a dizer.
  • Confirmações: Não basta escutar: demonstrar que está entendendo o que lhe é dito é tão importante quanto. Uma recapitulação como “Então você falou o que te incomodava para o seu chefe ontem mesmo?” ou “Ela ter lhe dito isso foi o que fez com que você se sentisse chateada, certo?” mostra que, além de prestar atenção, você está acompanhando a linha de raciocínio da pessoa.
  • Encorajamento: Pequenas palavras e sons como um “hmm”, um “entendo”, um “conta mais” funcionam como um convite para que a pessoa continue falando, sem que você precise tomar a palavra ou mudar de assunto. É diferente de comentar, opinar ou já emendar sua própria história parecida. Encorajar é dar espaço: mostrar que você está ali, acompanhando, sem pressa para que a fala termine.
  • Atenção: Atenção plena é acima de tudo uma escolha ativa: guardar o celular, desligar a TV, pausar o vídeo, parar o que está fazendo. Em um mundo em que somos constantemente puxados por notificações e informações a cada segundo, dar sua atenção total a alguém virou um gesto raro, e por isso mesmo, mais valioso. É a diferença entre contar sobre o seu dia e ver a pessoa checando o celular no meio da sua frase, ou sentir que, de fato, aquele momento é só seu.

O grande erro das pessoas ao escutar o outro acaba sendo a urgência em responder ou dar soluções para as situações trazidas. Ficar preocupado pensando no que responder ou como solucionar o problema que a pessoa está te contando desvia o seu foco do objetivo principal que é escutar. Dê tempo para que a pessoa se sinta confortável em compartilhar os pensamentos com você, escute e confirme que você está acompanhando, demonstre que se interessa genuinamente pela história do outro. Não há nada que pague o seu tempo dedicado àquela pessoa, a escolha de ceder seu tempo é de um valor muito maior do que qualquer presente que você possa comprar. No fim, é isso que é o Tempo de Qualidade: a escolha de escutar.

Fontes

Grande, D. (2020). Active Listening Skills. Psychology Today. https://www.psychologytoday.com/us/blog/in-it-together/202006/active-listening-skills

Bourg Carter, S. (2024). The Power and Impact of Good Listening. Psychology Today. https://www.psychologytoday.com/us/blog/high-octane-women/202404/the-power-and-impact-of-good-listening

Gotian, R. (2023). 10 Easy Ways to Elevate Your Active Listening Skills. Psychology Today. https://www.psychologytoday.com/us/blog/optimizing-success/202305/10-easy-ways-to-elevate-your-active-listening-skills

PositivePsychology.com. Active Listening Techniques. https://positivepsychology.com/active-listening-techniques/

dr.consulta (2023). Saber ouvir: como essa habilidade pode ajudar o próximo. Blog dr.consulta. https://drconsulta.com/conteudo/saber-ouvir/

Parentoni, R. (2024). Saber ouvir. Migalhas. https://www.migalhas.com.br/depeso/407298/saber-ouvir

Blog da Vagas.com. 7 dicas para aprender a ouvir mais do que falar. https://www.vagas.com.br/blog/candidatos/7-dicas-para-aprender-a-ouvir-mais-do-que-falar/

Aguiar, A. C. P. (2025). A escuta e o saber da escuta: a humanização da liderança torna-se fundamental na era da Inteligência Artificial. GV-Executivo, 24(4), e93057. https://doi.org/10.12660/gvexec.v24n4.2025.93057

Chapman, G. (1992). As 5 linguagens do amor: como expressar amor sincero. Editora Mundo Cristão.

]]>
https://artedocaminho.com.br/como-a-escuta-ativa-conversa-com-o-tempo-de-qualidade/feed/ 0